Igreja de Filadélfia


SEXTA CARTA: À IGREJA DE FILADÉLFIA
7. “E ao anjo da igreja que está em Filadélfia escreve: Isto diz o que é santo, o que é verdadeiro, o que tem a chave de Davi; o que abre, e ninguém fecha; e fecha, e ninguém abre”.
I. “...Ao anjo da igreja”. Nada se sabe de certo sobre a biografia desse “anjo” (pastor), a não ser aquilo que é depreendido do texto em foco. Pelos textos e contextos que seguem a vida de Paulo, podíamos pensar num dos companheiros deste Apóstolo (Silas?): A posição geográfica não ajuda nesta interpretação; porém, na posição geográfica concentrada, favorece ao “amado Gaio”: terá sido ele? (2 Jo v.1, 7, 8).
1. FILADÉLFIA. O nome significa “amor fraternal”, estando aqui neste apelativo o sétimo e último uso desse termo, no Novo Testamento (cf. Rm 14.10; 1Ts 4.9; Hb 13.1, 22 e 2Pd 1.7: este último por duas vezes). Situação Geográfica: Filadélfia era uma cidade da província romana da Ásia Menor. Em 150 a.C. Atilo II, Filadelfo fundou, no vale Cógamo, no sopé do Monte Tmolo, mas ou menos 122 quilômetros de Esmirna, a cidade de Filadélfia (amor fraternal) em homenagem a seu irmão Eumênes II, que o precedeu no trono, afim de assinalar a grande amizade que os ligava”. Há um fato notável sobre essa igreja, até em sua posição geográfica: observemos no ponto seguinte:
2. A estrada, que de Éfeso ia para leste, tinha uma concorrente, aquela que, vindo do porto de Esmirna, passava por Filadélfia, e, através da Frígia, dirigia-se para o grande planalto Central. Filadélfia, se observarmos bem, ficava na rota da estrada do correio imperial que vinha de Roma e atravessava o porto de Trôade, seguindo para Pérgamo, Sardes, Antioquia (capital da Psídia), depois de atravessar outras regiões, essa via alcançava a Antioquia (capital da Síria), e finalmente, costeando, alcançava Jerusalém. Eis uma das razões porque o Senhor disse: “Eis que diante de ti pus uma porta aberta” (v. 8). Em todas as cartas dirigidas as sete igreja da Ásia Menor, o Senhor faz uma pequena apresentação de Si mesmo e depois fala. Na igreja de Filadélfia Ele se apresenta como “O Santo”. O Filho de Deus se identifica assim com a natureza do Pai, que é Santo no sentido tríplice: (Cf. Is 6.3). A seguir, vem aquele que é “verdadeiro” (2Cr 15.3; Jó 17.31); Depois, vem o Filho que é “Fiel e Verdadeiro” (Ap 19.11). “Ele tem a chave de Davi”, “que abre” (presente) “e ninguém fecha” (futuro) “e fecha” (presente) “e ninguém abre”. Agora verbo presente, ao invés do futuro, para expressar a certeza da irrevogabilidade: “E ninguém abre”. Ninguém mesmo!”.
8. “Eu sei as tuas obras: eis que diante de ti pus uma porta aberta, e ninguém a pode fechar: tendo pouca força, guardaste a minha palavra, e não negaste o meu nome”.
I. “...Uma porta aberta”. Literalmente falando, “a porta aberta diante” da igreja de Filadélfia, aponto para sua posição geográfica na rota que ligava Jerusalém a capital do império, Roma. Profeticamente, porém refere-se à era missionária da Igreja, que começou nos fins do século XVIII e que chega até nossos próprios dias. “John Gil, escreveu pouco antes do começo dessa era, considerando a sua própria época como era da igreja de Sardes. Predisse ele que a era da igreja de Filadélfia seria uma espécie de reino espiritual de Cristo, com a renovação do amor e do evangelismo. Por isso, conjeturou ele: “Essa porta aberta talvez ofereça uma oportunidade incomum para a pregação do evangelho; uma grande liberdade de seus pregadores e grande atenção por parte dos ouvintes, cujos corações serão abertos para observar, receber e abraçar ao evangelho; além de grande colheita de almas para Cristo e suas igrejas”. O poder espiritual que essa igreja, era fraco, em comparação com Pentecoste. O Senhor, entretanto, em nada os condenou. Mostrou,porém, que o segredo de guardar a sua palavra, era o amor: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra...” (Jo 14.23).
1. “Todos os viajantes vindos de Roma e todos os de Esmirna que se dirigiam ao coração da Ásia Menor Apocalíptica passavam em Filadélfia. A passagem quase obrigatória desses viajantes por Filadélfia representava, para a igreja, uma “porta aberta diante de SI”, para evangelização e testemunho. Por ela, podiam ser alcançados até viajantes de longínquas regiões e cidades...”.
9. “Eis que eu farei aos da sinagoga de Satanás, aos que se dizem judeus, e não são, mas mentem: eis que eu farei que venham, e adorem prostrados a teus pés, e saibam que eu te amo”.
I. “...Sinagoga de Satanás”. A presente expressão, ocorre aqui e em (2.9): nas igrejas de Esmirna e Filadélfia respectivamente. E basta confrontar essas igrejas a luz do contexto e verificar que, são as únicas no Apocalipse que não receberam: repreensão do Senhor Jesus.
1. O vocábulo “sinagoga” só ocorre uma vez no AT (Sl 74.8 LXX), onde aparece como tradução de “mô’êdh”. No Novo Testamento o termo grego “synagogê” é usado cerca de cinqüenta e seis vezes. Porém, sempre com sentido literal (Lc 4.16, 20, 28, 33; 7.5 e 8). No livro de Atos dos Apóstolos há muitas referências ali sobre “sinagogas”. As sinagogas tiveram sua origem durante o cativeiro de Israel no império babilônico. Pensa-se que nos dias de Jesus na terra havia mais de 500 sinagogas em Jerusalém. Nas igrejas de Esmirna e Filadélfia, os gnósticos tinham fundado duas sinagogas. No dizer dos tais gnósticos estas sinagogas eram o “lugar” do auge, de todo o saber (deles). Diante dos olhos divinos, elas foram e são classificadas: “de sinagogas de Satanás” (2.9 e 3.9). “Os chefes gnósticos, segundo se diz, degradavam a pessoa de Cristo e sua missão ; negavam também a possibilidade da encarnação do Verbo, Jesus, o filho eterno (fc. Jo 1.14); negavam a expiação pelo sangue de Cristo; tinham ainda um ponto de vista deísta relativamente a Deus; negavam o verdadeiro destino humano, ou seja, a participação final na natureza do Verbo (1 Jo 2.23). João, diz que, tais elementos são seguidores do Anticristo e, acrescenta: “qualquer” que negue o Filho ou a encarnação do Verbo, é mentiroso. Neste versículo, pelo menos, o termo usado em sentido lato e indefinido. “Qualquer” que negue a doutrina da encarnação do Verbo (humanidade) de Cristo tem a atitude do Anticristo. Os gnósticos, que se tinham deixado levar pela escravidão de Satanás, resolveram abandonar suas casas – e fundarem duas sinagogas na Ásia Menor: Uma Esmirna, e outra em Filadélfia.
10. “Como guardaste a palavra da minha paciência, também eu te guardarei da hora da tentação que há de vir sobre todo o mundo, para tentar os que habitam na terra”.
I. “...a hora da tentação”. A referência neste versículo sobre a “hora da tentação”, é um termo técnico para descrever o período sombrio da Grande Tribulação, que de um certo modo envolverá todo o mundo, e, na sua fase final, terá como alvo a cidade de Jerusalém e a terra Santa. As palavras: “eu te guardarei da hora da tentação” indicam que a Igreja não passará pela Grande Tribulação que perdurará sete anos. A Igreja desaparecerá silenciosamente antes, mediante o arrebatamento (1Ts 4.13-17). Depois, a Grande Tribulação virá, para “tentar” os que habitam na terra. Este “por à prova” é também traduzido por “experimentar” e por “tentar”; este último, como sinônimo de experimentar, pois “Ninguém, ao ser tentado, diga: Sou tentado por Deus; porque Deus não pode ser tentado pelo mal, e ele mesmo a ninguém tenta”. Parece-nos mais aceitável o “por à prova”, porque a Tribulação virá não só como castigo especificamente, mas também para, através dele, levar os homens a tomar decisões espirituais (cf. Ap 11.13b). E todos, não resta a menor dúvida, se decidirão por Cristo ou pelo Anticristo, que sem dúvida, dominará o mundo dos ímpios. No texto em foco, foi prometida isenção da prova especial, a qual significa livramento da Grande Tribulação. A palavra (“da”) significa “para fora de” e em si traz a idéia de ser guardado da tribulação (não meramente conservado através dela, como alguns asseveram).
11. “Eis que venho sem demora; guarda o que tens, para que ninguém tome a tua coroa”.
I. “...para que ninguém tome a tua coroa”. Segundo os Anais da História grega, na Grécia antiga, em Olímpia, no Peloponeso, de quatro em quatro anos, se realizavam os jogos olímpicos desde o ano 776 a.C. Aos vencedores se outorgava uma coroa – a coroa da vitória – formada de folhas de louro entrelaçadas. Paulo se serve freqüentemente de figuras dessas competições, principalmente quando escrevendo a Timóteo, que, por ser filho de pai grego (At 16.1) e de conhecer a Grécia (At 17.15; 18.5) devia estar familiarizado com elas. Em (2Tm 2.5), lemos: “...se alguém milita, não é coroado se não militar legitimamente”. E ainda em (2Tm 4.7 e 8), diz: “Combati o bom combate, acabei a careira, guardei a fé. Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a sua vinda”. Esta é uma mensagem de encorajamento e consolação aos fiéis, mas (também) é uma palavra de advertência aos hesitantes, aos quais é dito que se tornem constantes, e sempre abundantes na obra do Senhor que se tornem constantes, e sempre abundantes na obra do Senhor (cf. 1Co 15.58).
12. “A quem vencer, eu o farei coluna no templo do meu Deus, e dele nunca sairá; e escreverei sobre ele o nome do meu Deus, e o nome da cidade do meu Deus, a nova Jerusalém, que desce do céu, do meu Deus, e também o novo nome”.
I. “...Coluna no Templo do meu Deus”. A Igreja do Senhor, já na presente era é a “Coluna e firmeza da verdade” (cf. 1Tm 3.15b), e o que ela representa na atualidade, será, sem dúvida alguma na eternidade. As duas colunas do Templo de Salomão postas no pórtico eram chamadas Jaquim, que significa “Ele estabelecerá”, e Boás, que significa “Nele há força”. As colunas são usadas como emblemas de força e durabilidade. “...Eis que te ponho hoje por cidade forte, e por coluna de ferro...” (cf. Jr 1.18). Claro está que “coluna no templo” é também uma figura de linguagem. Quando uma cidade sofre terremoto e cai, geralmente ficam em pé colunas de edifícios, porque a técnica de construção e os alicerces dessas colunas são reforçados. Filadélfia constatara isso várias vezes após terremotos sofridos. Daí a figura de expressão, aqui usada. Em realidade significa que os crentes de Filadélfia (e a Igreja Universal) haveriam de estar sempre na presença de Deus, pois Deus mesmo é o Templo da Jerusalém Celeste (cf. Ap 21.22).
1. O nome do meu Deus. Isso acontecerá para nos dar o direito de ser pronunciado ao mesmo tempo: “nosso Pai e nosso Deus”, pois nunca jamais durante sua missão terrena, Jesus é o Filho de Deus por Natureza; nós o somos por adoção (cf. Jo 1.12; Gl 4.5-7). Eis a razão da distinção feita por Jesus, em (Jo 20.17): “Meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus”.
13. “Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas”.
I. “...Quem tem ouvidos, ouça”. A expressão da voz está no singular, mas a advertência para “todas” as igrejas (cf, 2.7, 11, 17, 29; 3.6, 13, e 22). Só não ouvem a “voz” divina os endurecidos (Hb 3.7); os tardios de coração. (Ver Is 6.10); os de olhos fechados (Rm 11.8), etc. Notemos que é o “...Espírito...” quem nos conclama a ouvir. A mensagem divina; as promessas são divinas; as advertências são divinas. Portanto, o imperativo é divino. “O Espírito Santo continua falando a todos os ouvidos abertos e a todos os corações bem dispostos, em todas essas admiráveis e solenes mensagens. Estaremos ouvindo, realmente?”. Lembremos da tão amável e solene mensagem do Mestre: “Quem tem ouvidos para ouvir, ouça!” (Mt 13.43). Esses são os ouvidos espirituais. Aquele que afirma possuir qualquer “receptividade” espiritual, deve exercer tal capacidade, dando ouvidos às promessas e advertências dessas cartas, passando a agir de acordo com as mesmas, não desviando seus ouvidos da verdade (ver. 2Tm 4.4), etc.

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